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O personagem Moisés em cena da novela Os Dez Mandamentos, da TV Record |
Moisés demorou 40 anos para atravessar o
deserto do Sinai com os israelitas, que fugiam da escravidão no Egito. Ele
morreu pouco antes de entrar no seu destino, a Terra Prometida.
Acontece que o Sinai ocupa uma península de
apenas 200 quilômetros de largura. A estrada que liga o norte do Egito à
Palestina pode ser percorrida em duas horas de carro. Dá para ir e voltar no
mesmo dia. Por que então a epopeia de Moisés se estendeu por tanto tempo?
A explicação contida na Bíblia e na Torá
judaica é a de que os israelitas tiveram de vagar esse tempo todo como punição.
Deus ficou bravo porque alguns murmuravam contra ele e decidiu que todos ali,
com raras exceções, deveriam morrer antes de entrar na Terra Prometida. Só seus
filhos poderiam fazê-lo. O que complica a história são os absurdos que nascem
daí.
O texto sagrado fala que 600 000 homens
cruzaram o Mar Vermelho para o Sinai. Incluindo mulheres, crianças e idosos,
eles poderiam passar de 3 milhões – o equivalente a toda a população do Egito
na época. Porém, por mais que arqueólogos tenham escavado o Sinai, até agora
não se depararam com um único vestígio de Moisés e de seus seguidores. Nenhuma
sepultura, objeto ou inscrição em uma pedra foi achado.
Como todo esse povo teria se alimentado?
Segundo a Bíblia, foi com maná, um pão que descia do céu com o orvalho e tinha
sabor de bolo de mel. Nenhuma explicação razoável foi dada até hoje sobre o que
seria isso.
Com tantas dúvidas e contradições, é natural
suspeitar que a narrativa não fala de algo que aconteceu. O texto, por exemplo,
sequer dá a localização do Monte Sinai, onde Moisés teria recebido os dez
mandamentos de Deus. “Como o ponto do Monte Sinai pode ter se apagado da
memória a ponto de ninguém hoje estar certo de sua localização, mesmo sendo o
mais importante local para a história religiosa de Israel? Por que o Monte
Sinai não tem sido um lugar regular de peregrinação e um centro de culto ao
longo da história antiga de Israel?, pergunta o arqueólogo egípcio James
Hoffmeier no livroAncient Israel in Sinai (Oxford University Press). Até nome
da montanha aparece de duas formas: Horeb e Sinai.
Também não há nos documentos egípcios
qualquer referência sobre o êxodo dos judeus que teria acontecido “aos olhos de
todos”. Por fim, em lugar algum da Bíblia se diz qual seria o nome do faraóou
do rei do Egito que perseguiu o grupo no início da empreitada. Na novela Os Dez
Mandamentos, da TV Record, ele foi batizado de Ramsés.
Então fica combinado assim. Para os que
acreditam que a Bíblia ou a Torá contêm a verdade e se bastam, a história de
Moisés é plenamente aceitável. Para os que acham que é preciso algo mais, a
travessia ainda carece de alguma comprovação para ganhar veracidade.
Fonte: Duda Teixeira\Revista VEJA
Marcadores: Por que Moisés demorou 40 anos para atravessar o Sinai, que só tem 200 km de largura? NOTÍCIAS