Vereador de Simões denuncia pobreza em meio a riqueza do projeto da energia eólica



O vereador do município de Simões, Luciano César (PT), usou mais uma vez as redes sociais para denunciar a falta de investimentos por parte do poder público e das empresas que atuam no grandioso projeto de construção dos Parque Eólico Chapada do Araripe.


Segundo ele, a riqueza das obras de construção da maior subestação de energia eólica do Brasil se mistura com a pobreza dos moradores da localidade Serra do Inácio, situada no município de Curral Novo do Piauí, já na divisa com o Pernambuco.


De acordo com o vereador, a energia produzida pelo vento só ilumina a subestação, enquanto dezenas de famílias que moram nas proximidades ainda vivem no escuro, sem energia em suas residências.



Veja o texto publicado:

Vivemos num Brasil, num Piauí que os nossos governos fecham os olhos para os mais necessitados. Sou Luciano César, moro na cidade de Simões e venho acompanhando de perto todo o progresso da nossa região.

Hoje, o Estado do Piauí pode bater no peito e dizer que tem a maior subestação eólica do Brasil. No entanto, é verdade, também, que ao lado dessa subestação temos várias casas sem água, sem luz e sem teto.

As empresas chegaram e disseram que a vida social das pessoas iriam melhorar e até agora nada foi feito. Foram várias audiências públicas e várias reuniões com as autoridades, mas nada de fato foi feito. Por exemplo, em Simões já fazem dois anos que as empresas chegaram e nunca foi feito nada na área social. Sabemos que é Lei Federal, que as mesmas tem a obrigatoriedade de investir no social.
Sou vereador de Simões, e não de Curral Novo, mas peço ao governador Wellington Dias que faça alguma coisa, pois esse povo merece ter uma vida digna, já que o desenvolvimento chegou.

A Serra do Inácio fica situada a 60 km da cidade de Curral Novo. Lá moram cerca de 140 família, e destas, 40 família vivem abaixo da linha da pobreza, e outras 96 famílias não tem energia elétrica.

A fonte de água fica a 12 km, já no Estado do Pernambuco, sendo, então, abastecidos o ano todo por carro pipa. Lá foi construída a maior subestação da América Latina de Energia Eólica e a famílias que moram há aproximadamente 100 metros da subestação, estão sem energia elétrica.

As 40 famílias que estão abaixo da linha da pobreza sobrevivem exclusivamente do Bolsa Família, onde as crianças dormem no chão em pequenas casas onde não têm nem condições de montar camas, dormindo como animais.

E a situação agravar ainda mais, pois com a construção de parques eólicos, tendo em vista que às torres que estão e ainda vão montadas em propriedades produtoras, de famílias de condição financeira, que são geradores de emprego às famílias mais carentes, e depois que montarem essas torres nas suas propriedades, podem não produzir mais a mandioca que é a única fonte de geração de emprego dessas famílias carentes.

Não somos contra o desenvolvimento, mas queremos e defendemos um desenvolvimento sustentável. Como justificar a essas famílias que moram ao lado desse projeto que está sendo montado e não ter energia, e não ver sua vida melhorar?


Empresas ganhando dinheiro e aquelas famílias podendo piorar suas vidas. Tivemos pequenas conquistas como Bolsa família e cisternas, mas é pouco pelo o tamanho problema que essas famílias passam. A média por família são de 6 pessoas e as casas do tamanho de um banheiro de muitas pessoas. Não receberam nenhuma visita de uma empresa até agora.

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