Prefeito preso ameaçou a oposição em rádio com arma no Piauí


Do 180 graus l Foto: divulgação

O prefeito preso de Redenção do Gurgueia, Delano Parente, chegou a ir a uma rádio, ainda no início das investigações contra a organização criminosa que é acusado de integrar, e ameaçou membros da oposição ao seu governo falando ter uma arma. A informação é do promotor de Justiça Antônio Luís França, que é natural do Espírito Santo e está há 3 anos atuando no Ministério Público do Piauí, sendo que deste tempo, 8 meses atuando no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO).

Foi essa ameaça, praticada pelo gestor público nessa rádio contra seus “inimigos políticos”, com quês autoritários, que originou o nome da operação, Déspota, em referência aos reis absolutistas da Idade Moderna, que concentravam em si o poder absoluto e não respeitavam a existência do debate e de poderes como o Executivo, Legislativo ou Judiciário. O mais famoso desses reis foi o Luís XIV, o Rei Sol, a quem se atribui a frase: “O Estado sou eu” (L’État c’est moi – em francês).

“Essa investigação, ela demora já quase um ano, ela surgiu… existe uma conversa, que não está marcada pelo sigilo, porque ela nem foi fruto de interceptação, em que o prefeito, o Delano, ele foi na rádio e ameaçou inimigos políticos dizendo que tinha arma, e que eles poderiam ir para cima deles e que ele saberia se defender, de uma maneira bem autoritária. Então daí o nome da operação, Déspota”, explicou o promotor. Durante as buscas e apreensões, realmente foi encontrada uma arma na casa do prefeito em Teresina.


Acostumado a ser fotografado ao lado de autoridades de alta plumagem no estado, e com uma aparência de gente boa praça, as investigações mostram um outro homem, um gestor atuante no esquema, que usava da ameaça, como tudo indica, para anular possíveis atuações dos seus opositores.

É POSSÍVEL QUE FRAUDES OCORRESSEM NAS MAIS DIVERSAS ÁREAS
Ainda segundo o promotor de Justiça, é possível que as fraudes ocorressem “nas mais diversas áreas” e não somente na área da Educação, mas essas informações serão ainda tornadas públicas quando estiveram mais detalhadas e com um grau maior de precisão, após a análise do vasto material apreendido. “Tem muito trabalho a ser feito”, revelou.


Essa análise do material apreendido será feita por técnicos do próprio Ministério Público e dos órgãos envolvidos nas investigações, como a Controladoria Geral da União (CGU). “Nós temos muitas informações deste quase um ano, interceptações telefônicas, visitas às empresas, in loco, interceptações telemáticas, uma gama de informações com provas muito robustas e, como eu disse, nós temos que depurar todas as informações que decorreram das buscas e apreensões e das oitivas, ou seja, do dia em que foi deflagrada a operação. Somando esses dois conjuntos probatórios, vamos assim dizer, em breve vamos oferecer denúncia”, pontuou.

O GAECO é formado por três promotores de Justiça e coordenado por Rômulo Córdão.

ÁUDIOS


Na manhã desta segunda feira, o Grupo voltou a divulgar áudios captados durante as interceptações telefônicas autorizadas pelo Justiça. Em um deles, é possível ouvir um dos interlocutores pedindo a quem está do outro lado da linha que limpe suas gavetas e retire todos os documentos que encontrar.


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